5 vezes em que a Nintendo revolucionou o mercado dos games

5 vezes em que a Nintendo revolucionou o mercado dos games

A história da Nintendo é marcada por altos e baixos e isso ninguém pode negar. Esse termo se encaixa perfeitamente na história de uma empresa que: salvou a indústria gamer do fracasso; tornou-se a líder do mercado; estabeleceu-se como referência; viu seu trono ser ocupado por outras empresas ; foi dada como falida; ousou e voltou à liderança; tropeçou novamente e agora mostra ao mundo que é ela quem dita às regras.
Vamos à lista.

Mário e Nintendo salvam a indústria de vídeo games.

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O  ano era de 1983, o Famicom é lançado no Japão e promete ser um sucesso em vendas. Enquanto isso, nos Estados Unidos, o mercado vive seu pior momento. A Atari, que até então era líder no segmento, está perdida em meio a tantos produtos que lançara. Por falta de suporte e reconhecimento, algumas desenvolvedoras decidem se afastar e criar seus próprios consoles, entretanto tinham poucas melhorias e inovações à apresentar, com isso, o mercado ficou saturado e o grande público perde o interesse por games. Até que a Nintendo resolve mudar para sempre a história dos videogames.
Determinada a lançar o Famicom na “terra do Tio Sam”, a “Big N” resolveu
apostar alto e foi um golpe  certeiro. Como um dos fatores que levaram o mercado de vídeo games ao “Crash” de 83 foi a baixa qualidade e mesmice dos jogos lançados até então, a Nintendo inovou no seu lançamento que sairia junto com a versão americana do seu primeiro console caseiro. Super Mario Bros foi o carro chefe do lançamento do NES. Além de ser um dos primeiros jogos do estilo Side-scrolling (rolagem lateral), ele trazia algo jamais visto: agora um jogo tem personagens com histórias, enredo e final. Além de tudo isso, a mecânica do game era muito fluida. Andar, pular, escapar de inimigos, catar moedas e cogumelos, correr contra o tempo, derrotar o Bowser, salvar a princesa…ufa. Isso foi uma revolução, as pessoas só falavam no baixinho bigodudo que descia pelos canos e pulava tão alto quanto uma lebre.
Super Mario Bros criou um estilo, a partir dele vários outros jogos com histórias e personagens cativantes começaram a aparecer, então os gamers não precisavam mais imaginar histórias e cenários para pontinhos coloridos na tela como no Atari, já estava tudo ali, prontinho e desenhado.
 

O trono é nosso

 
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Estamos no final dos anos 80, a Nintendo via a Sega liderar o mercado. Japão, Europa e América estavam maravilhados com o Mega Drive, lançado em 1988. O console de 16 bits da concorrência era a melhor máquina do mercado o que fez do glorioso NES um vídeo game defasado. No Brasil o domínio da SEGA era avassalador, a Big N ainda não tinha chegado oficialmente em nosso solo, só era possível jogar Nintendinho através dos clones  e por meio de importação. A Tec Toy, que representava a SEGA por aqui se aproveitava da ausência da Nintendo e investia pesado em propaganda.
Em novembro de 1990 é lançado o Super Famicom no Japão, que no ano seguinte chegava aos Estados Unidos sob o nome de Super Nintendo. O mais novo console da Nintendo prometia sacudir o mercado, dotado de um processador robusto com os mesmos 16 bits do Mega Drive  e um chip sonoro que era superior aos concorrentes.
O inicio foi complicado, o mundo assistiu a mais dura guerra da indústria dos vídeo games. Esse pedaço da história gamer chamada até hoje de Console Wars, começou com a SEGA dominando os cinco continentes que foram pouco a pouco se rendendo as maravilhas Nintendistas como Super Mario World e The Legend of Zelda: a Link to the Past . Além da continuação de suas franquias a Nintendo conseguiu manter parceria com desenvolvedoras que garantiram exclusividade das séries Mega Man, Final Fantasy, Final Fight dentre outros.
Em 1993, quando finalmente a Nintendo chegou oficialmente no Brasil, ela já havia retomado a liderança do mercado mundial. O Super Nintendo era o vídeo game mais popular em maior parte do mundo (Na Europa, a Sega resistia bravamente).
Super NES foi um marco na história, revolucionou a forma de usar joysticks, adotando um padrão com quatro botões de ação e dois botões de ombro, ditou a tendência do mercado. O console de 16 bits só foi descontinuado em 2003 e vendeu um total de 49 milhões de unidades. Tornou-se referência e até hoje é lembrado e considerado por muitos o melhor console de vídeo gama já feito.
 

Nintendo 64, o ”fracasso” que ensinou como se joga.

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Meados dos anos 90, a Nintendo reina absoluta, mesmo com seus “Transformers” a Sega não consegue superar a Big N no mercado mundial. O mundo espera ansioso o que esta por vir na próxima geração de vídeo games. Ainda na quarta geração (console wars) a Nintendo  Havia anunciado uma parceria com a Sony para o desenvolvimento de um console. Ambas já haviam trabalhado juntas, no Super NES sendo a Sony responsável por chips sonoros o que lhe rendia parte dos lucros. Pouco depois do anúncio do Play Station (fruto que nasceria desse casamento) a Nintendo anuncia o divórcio e começa a trabalhar no seu próximo console, não contente com isso, a outra parte interessada decide entrar no mercado de forma independente. Sendo assim, no ano de 1994 nasce o Playstation (dessa vez se escreve junto) com um hardware potente e mídia óptica, os famigerados CDs, grande novidade da época. A Sega, por sua vez lança uma máquina tão robusta quanto, o Sega Saturnenquanto a Big N enfrenta problemas no desenvolvimento do seu “next gen” e adia em dois anos o lançamento.
Estamos em 1995, e finalmente surgi o poderoso Nintendo 64. Equipado com um processador que tem o dobro do desempenho dos seus concorrentes (64 contra 32 bits) chega ao mundo esbanjando processamento gráfico, renderização e modelagem 3D. Em 1996, é lançado o jogo que revolucionaria os jogos de ação e aventura, Super Mario 64 não é apenas um jogo lindo, é todo o poder que um o processador de 64 bits poderia demonstrar, e lançado logo de cara, pegando todo o “boom” que o console havia causado no mercado. Além de ser o primeiro jogo da história completamente em 3D (personagens e cenários), inovou no modo de jogar, a jogabilidade é o ponto forte do jogo, o “stick” analógico presente no controle facilitava bastante a fluidez. Outra grande inovação do rei dos 64 bits é o seu Joystick, o primeiro a usar controle analógico além dos direcionais digitais, também pioneiro no uso de sistema de vibração, batizado de Rumble Pack, ambas as inovações foram adotadas posteriormente pela rival Sony (a primeira de muitas).  Em mutiplayer, Nintendo também deu sua contribuição ao mercado, 007 goldeneye ensinou como se faz jogos em FPS (First Person Shooter), Mario Kart 64 deu diversão para os jogos de corrida e Smash Bross criou um estilo de jogo copiado até hoje, inclusive pelas rivais.
Mesmo com todo esse potencial e pioneirismo, a Big N viu o primeiro lugar ser da Sony do inicio ao fim da geração, muitos classificam o Nintendo 64 como um fracasso, o que pode ser uma tremenda injustiça, se levarmos em consideração as inovações e grandes clássicos que foram lançados para o console. A Sony mereceu a liderança, mas é inegável o legado que o Nintendo 64 deixou para a indústria dos games.


Wii, o console da família.

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A quinta geração não foi nada fácil para a Nintendo, além de perder a liderança pra Sony,  brigou com antigas parceiras como Square, Capom e Konami. A sexta geração não seria brincadeira, sua mais antiga rival, a Sega, já estava no mercado com o Dreamcast desde 1998, a Sony prometia algo grande e a gigantesca Microsoft preparava terreno para entrar de voadora no mercado, tudo bancado pelo tio Bil. Surgiu o Gamecube, quarto console da empresa, a guerra seria ainda mais dura, a glória não veio, mas não passou vergonha. Legend of Zelda: Windwake, Super Mario Sunshine, Mario Kart: Doube Dash Metroid Prime deram conta do recado. Foi também no “quadrado azul” da Nintendo que Sonic (ele mesmo, da antiga rival) estreou em consoles da Nintendo.
 
Embora tenha sido feito todos os esforços possíveis, o grande potencial gráfico do Gamecube não foi páreo para o Playstation e o Xbox, que também ficou à sua frente. O Dreamcast foi descontinuado prematuramente e abandonou a briga.  A sétima geração se aproximava e a Nintendo precisava de algo gigantesco para voltar ao topo. Foi ai que a Nintendo resolveu ser a Nintendo.
Em 2006 é lançado o Nintendo Wiidessa vez eles mostraram que não estavam pra brincadeira. Pensando bem, até estavam sim. A proposta do console era bastante ousada, enquanto as rivais Microsoft Sony davam maior foco à jogos “Hardcore” com apelo para o público mais maduro e que pretendia jogar sozinho, o Wii trazia diversão para a família. Equipado com um joystick sem fio dotado com acelerômetro em três dimensões e uma barra sensorial capaz de detectar esses movimentos, o quinto console de mesa da Nintendo mostrou ao mundo que jogar vídeo game é mais do que ficar sentado numa poltrona. A tecnologia foi muito bem aceita pelo mercado e teve ótimas vendas o que forçou mais uma vez os concorrentes a correrem para lançar tecnologias similares e não ficar pra trás. Entretanto, tiveram que lançar atualizações para seus sistemas que já estavam no mercado enquanto o Wii já vinha “completão” e vendia que nem água. Mesmo com lançamento do Kinect para o Xbox 360 e o PS Move para o Playstation 3,  o Nintendo Wii conduziu a Nintendo de volta ao topo. Embora tivesse um hardware mais modesto em relação aos rivais o Wii vendeu mais de 60 milhões de unidades.
A tecnologia presente no Wii Remote (nome dado ao joystick) foi a grande responsável pelo  sucesso do Wii, mas a “prata da casa” ajudou na retomada da liderança. Super Mario Galaxy 1 e 2, New Super Mario Bros, The Legendo of Zelda: Skyward Sword dentre outras franquias exclusivas foram fundamentais para o Nintendo Wii.


Nintendo ditando as regras novamente.

 
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A sétima geração não poderia ser melhor. Além de vencer a corrida ao topo, a Nintendo manteve sua característica inovadora e ditou as tendências do mercado. Para a próxima geração precisavam manter a liderança, mas o sucesso do Wii não tornava tudo mais fácil.
Enquanto a Nintendo buscou agradar o público casual e os atender os anseios dos seus fãs de sempre, Sony e Microsoft travavam uma guerra particular pelo público “hardcore”. Seus hardwares eram bastante potentes e os títulos lançados eram cada vez mais realistas. Existem particularidades entre o público casual e os gamers “hardcore”, que podem definir o futuro de um segmento. Jogadores casuais se interessam por jogos que divertem e não se preocupam tanto com gráficos enquanto os gamers “hardcore” exigem gráficos cada vez melhores e ação o tempo todo. Visto isso, percebemos que para um jogador casual um Nintendo Wii pode satisfazê-lo durante anos, sem necessidade de investir num novo console. Eis o desafio da Nintendo para a oitava geração: Um sistema que chame atenção do público casual e ao mesmo tempo atraia jogadores “hardcore”. É preciso inovar, outra vez.
Em 2011 a Nintendo anuncia o Wii U como sucessor do Wii. A inovação da vez seria o seu Joystick , que equipado com uma tela de 6” sensível ao toque prometia dar mais imersão a aos games. A tela também pode funcionar como infravermelho remoto da TV. Dentro de alguns games a tela do GamePad tem funções de suporte à jogabilidade como funções extras, visualização de mapas, inventário e etc., já em outros ela influenciava diretamente no gameplay, como em Zombie U. Apesar de toda essa funcionalidade, o console não foi bem aceito pelo mercado. Alguns gamers não encaravam tal inovação como preponderante para compra, visto que o hardware não tinha potência similar aos consoles da atual geração (Playstation 3 e Xbox 360). Aliado a tudo isso a baixa oferta de títulos não conseguiram convencer  público de que o console era um bom investimento. Menção honrosa para The Legendo f Zelda: Wind Waker, New Super Mario Bross U, Bayonetta 2 e Pikmin 3 que são excelentes jogos mas não conseguiu alavancar as vendas do console.
As vendas iam de mal a pior, quando a Nintendo resolveu admitir que o Wii U era um fracasso de vendas e aceitação, assumiram a culpa e vida que segue. Após o anuncio do então presidente mundial da empresa, muitos se perguntavam: “Será o fim da Nintendo?” Até parece que não conhecem…
Em 2016 surgem rumores de que a Nintendo estaria trabalhando num novo console. Várias especulações surgem, uns dão conta de que seria um portátil, outros apostam que seria um console de mesa, dai a todos são surpreendidos em outubro do mesmo ano que se trata de um console hibrido. Tanto portátil quanto console de mesa.
Lançado em março de 2017 o Switch chegou ao mercado com a assinatura da empresa que sempre se saiu bem quando resolveu ousar e mudar os paradigmas da indústria de 
vídeo games, e o atual console da Big N representa muito bem o que é a empresa. E um ano após seu lançamento o console já conseguiu embalar grandes jogos como The Legend of Zelda: Breath of the Wild jogo que rendeu o titulo de melhor jogo de 2017, Super Mario Odyssey que coloca nosso velho amigo encanador a exploração dos mais diferentes cenários. Agora nos resta esperar pra ver qual será a próxima grande jogada da Nintendo que já mostrou que respeita sua origem e também não tem medo de inovar.  
Introdução, desenvolvimento, argumentação e conclusão por  Igor  Simões.
 

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