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Cultura Pop do mundo.

Bamboozled (2000): o lado macabro do humor

“A cada nó na garganta, realça a importância de obras como esta, para tempos como este…”

Entre os filmes do diretor e roteirista estadunidense, Spike Lee, Bamboozled ou A Hora do Show, é talvez, uma de suas obras mais pesadas e conceituais, que infelizmente não teve a divulgação merecida na época de seu lançamento, refletindo na enorme dificuldade de encontra-la atualmente, até mesmo entre as plataformas de streaming. A resposta do por quê, pode estar tanto implícita nas entrelinhas da película ou em sua mensagem direta, mas a variável mais provável é o momento social pelo qual o longa foi completado e divulgado, em pleno fim do século XX, nos anos 2000.

Tratando-se de uma crítica social de categorias distintas, A Hora do Show enquadra-se em um perfil de filme bem incomum para sua época, relatando os problemas sociais de raça, gênero e cultura que constantemente são disfarçados pela industria de Hollywood e comunicação, revelando a sua maior “arma” em potencial como um veículo de informação, a indução de massas, seja, direta ou indiretamente destrutiva para a sociedade.

Embora a analise crítica do roteiro seja bem elaborada, o destaque deve-se principalmente ao trabalho do diretor na construção da narrativa, que sob a perspectiva de Pierre Delacroix (Damon Wayans) o protagonista, a história do eloquente que sonha com o estrelato é cuidadosamente introduzida, mas em seu decorrer, Pierre acaba tendo que tomar uma decisão para realizar o seu sonho e ele rende-se aos padrões impostos pelo produtor para então, produzir um conteúdo devotado ao publico negro, que também agrede o publico “branco”, seguindo as exigências do produtor.

O resultado é um show intenso e totalmente racista, que vai tornando-se cada vez mais e mais conflituoso para os atores e para Delacroix até o último minuto do longa. Assim como fez em seu recente filme Infiltrado na Klan, Lee usou de relatos reais para dar um impacto ainda maior no espectador, e particularmente ele consegue fazer isso em varias partes, pois a forma quase intrigante que o humor é usado para causar uma sensação consegue dar o oposto ao riso, o desconforto, e assim como a trama, a genialidade, a problemática e a historia terminam, apenas a reflexão toma posse a cada crítica, a cada força que o movimento negro tomou para serem aceitos em todas as bolhas sociais, principalmente na mídia, tudo isso, não apenas faz sentido, mas continua longe do seu potencial.

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