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Cultura Pop do mundo.

Baumbach : o extraordinário está no cotidiano

Noah Baumbach é um diretor que ganhou bastante espaço e reconhecimento nessa década que se vai. Não por ser um cineasta vanguardista, inovador, tecnicamente detalhista ou algo do tipo. Mas sim por enxergar nas histórias mais simples o extraordinário.

Os filmes de Noah são, digamos, intimistas. Pode-se usar até mesmo o adjetivo “íntimo” para tratar de suas obras, já que cada uma delas toca o espectador de uma maneira muito pessoal, aquela coisa da identificação mesmo. Falam de família, relacionamentos, amizades, solidão, e todos eles são, em minha perspectiva, melancólicos. Sem exceção.

O mais recente, lançado esse ano pela Netflix, é “História de um Casamento”, com Adam Driver e Scarlett Johansson. O longa mostra um processo de separação que começa com o casal buscando o melhor para os dois lados e extrapola a níveis absurdos de estresse e raiva que jamais poderiam ser imaginados.

“A Marriage Story”

Em “Meyerowitz”, são irmãos que precisam se reaproximar, mesmo se odiando. E em “Frances Ha”, um dos seus clássicos e talvez o mais melancolico de todos, uma garota perdida na vida adulta, procurando amigos, emprego, e um lugar para morar.

A magia da filmografia de Noah Baumbach está em transformar essas situações que vivemos e convivemos em histórias interessantes de empatia e autoconhecimento. São coisas tão simples e ao mesmo tempo tão tocantes, que requerem do diretor grande sensibilidade com o que está fazendo, e ainda que transmitam e atinjam ápices dramáticos sem precisar dar a famosa “forçada de barra”. As coisas apenas vão acontecendo, fluindo.

Como um casal que era apaixonado e agora não consegue ter uma conversa civilizada. Como irmãos que cresceram juntos e de repente ficam anos sem se ver. Como uma jovem cheia de sonhos e expectativas que de uma hora pra outra se vê a mercê da vida, sem muitas opções. As coisas apenas acontecem.