Home | Bitered

Cultura Pop do mundo.

Bohemian Rhapsody (2018): lendas grandes demais para filmes pequenos

“Batman v Superman é um filme grande demais para mentes pequenas”. Essa é uma frase adaptada da dita por Lex Luthor no longa que foi usada pelos fãs e (únicos) defensores daquele caótico evento cinematográfico que foi BvS. Atualmente, outro filme que divide opinião de público e crítica (não tanto quanto o citado antes) é Bohemian Rhapsody, a cinebiografia da banda Queen.

Apesar de ter ganhado o Globo de Ouro de melhor filme, e o SAG e BAFTA Awards de melhor ator com Rami Malek, a crítica dita especializada, principalmente no Brasil, contesta muito a qualidade do longa, que além das premiações anteriores, ainda carrega indicações ao Oscar. Deve-se dizer que é um filme complicado, e assim o foi durante sua produção. Diretores e atores principais foram trocados durantes a pré-produção do longa, e ainda houve mudanças no roteiro. O maior erro do filme é tentar mostrar os principais acontecimentos da banda Queen e seus integrantes em duas horas. Não é algo difícil, e sim impossível. Talvez uma série funcionasse melhor. Mas quando se trata de histórias reais, e ainda mais o peso delas, é difícil escolher apenas um momento para retratar.

Os quatro integrantes da banda britânica marcaram o mundo da música para sempre, isso é negável. Desde a época em que o grupo surgiu, todos os holofotes eram virados para seu vocalista, Freddie Mercury, por questões óbvias. Freddie é a pessoa mais excêntrica e talentosa que o mundo já viu ou verá, o que por muitos anos foi bom para a banda, até o momento em que isso começou a atrapalhar a arte do Queen. Tendo esse super gênio como protagonista, não parece ser uma tarefa difícil retratar sua vida e feitos num longa – afinal, sua história de vida já se sustenta sozinha, sem precisar de nenhum roteiro.

Talvez seja aí que more o problema de Bohemian Rhapsody : é uma história grande demais para um único filme. Assim entram os contrapontos de quem gostou, e quem não gostou. O filme tem um primeiro ato desorganizado e que não flui como deveria, de certa forma chega a ser incômodo. Porém, as músicas que compõem e contam essa história são mágicas (ora, é o God Dammit Queen!), e até agem como lavagem cerebral do público (inclusive deste que vos escreve).

Durante o primeiro ato eu estava extremamente decepcionado com o que estava vendo, mas ao longo do fui aceitando tudo aquilo e me deixei levar – tanto que estou aqui hoje escrevendo a favor do longa.
Talvez a música, ou a atuação fabulosa de Rami Malek. Quem sabe ?

Do outro lado, temos o ponto de vista de quem não gostou, e é justamente o oposto dessa argumentação anterior. Segundo dizem, o filme não sabe contar sua história de maneira coesa, e apela pro lado fã do público (quem não é fã do Queen?) com as músicas, e momentos marcantes da história da banda.

De qualquer forma, essas duas opiniões concordam em uma coisa : é fácil se deixar levar. Pela banda, pelas músicas, por todo contexto e nostalgia, seja isso bom ou ruim. Então, podemos encarar Bohemian Rhapsody de duas formas : um longa de contemplação do Queen que deu muito certo; ou um filme que tentou contar a história da banda e seus integrantes e não se saiu como deveria.

Deixe uma resposta