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Cultura Pop do mundo.

#EleNão e nossa hipocrisia diária

Se você é uma pessoa com mínimo de acesso à informação, deve ter visto pelos últimos dias o movimento #EleNão, que se posiciona contra o candidato á presidência do Brasil, Jair Bolsonaro. Como tudo que envolve política no país, a manifestação tomou tom de guerra, e deixou muita gente estressada dos dois lados.

Semana passada, a cantora Anitta se envolveu em uma grande polêmica ao seguir um perfil no Instagram ligado à candidatura de Bolsonaro, e foi o suficiente para gerar ataques à cantora. Ataques vindo de seus próprios fãs, artistas, e até mesmo sites que se dizem de ”cultura pop”. Mesmo tentando fugir da discussão, e subir no famoso ”muro”, Anitta se pronunciou oficialmente contra o candidato após um ‘desafio’ da cantora Daniela Mercury. Se posicionando, Anitta desafiou também Ivette Sangalo e Cláudia Leite, que por momento, estão ausentes das redes sociais. 

Mas, e se Anitta realmente apoiasse o candidato ? Onde está o direito de liberdade de expressão dela ? Se bem que falar de liberdade de expressão nesse caso não cai muito bem, já que a maioria dos ”artistas” que participam do movimento #EleNão, não permitem comentários do público em suas postagens sobre isso nas redes sociais, inclusive a própria Anitta. Outra que também caiu na ”malha-fina” do #EleNão foi Sandy, que sofreu ataques por rumores de apoio à Bolsonaro. Também tentando se livrar de polêmica, Sandy respondeu através de seus assessores midiáticos. 

Esse ano algo um tanto semelhante aconteceu nos Estados Unidos, com Kanye West e o presidente Donald Trump.  O rapper ficou conhecido no mundo da música por inovar, não seguir padrões de gravadoras, e mais importante, dizer o que pensa. No começa do ano, Kanye disse que ‘amava Trump‘, e que nenhum crítico conseguiria mudar sua opinião quanto à isso. Muitos fãs o deixaram de lado, e até rappers como Snoop Dogg foram contra suas palavras, devido ao pensamento coletivo ter uma visão de Trump como um líder branco que não abre espaço para diálogo. 

Diferente de Anitta, Kanye West não se entregou à pressão em volta de si para mudar de opinião, por que antes de ser um artista e figura pública, é também um ser humano com direitos de escolha próprios. Em entrevista ao programa Jimmy Kimmel no mês passado, o rapper falou sobre suas decisões :

“Como um músico, como uma pessoa afro-americana, todo mundo ao meu redor tentou escolher o meu candidato por mim, todo mundo me disse que eu não podia dizer para o mundo que eu gostava de Trump. Há essa ideia por aí que pessoas negras só podem ser democratas”, completou.

Complementando o que Kanye disse, criou-se um conceito no subconsciente coletivo de que todo artista é de esquerda. É normal ver o senso comum configurando um estudante de audiovisual ou ator de teatro como aquele cara barbudo, camisa do Che Guevara, que fuma nos intervalos das aulas e grita ‘Lula Livre’ nas redes sociais. 

Nós sabemos que não é bem assim, porém, a mídia e os próprios artistas insistem em querer nos provar o contrário. 

O inconsciente coletivo sempre caracteriza o artista como alguém posicionado politicamente na esquerda. 

Poderíamos levar o movimento #EleNão como algo construtivo, com embasamentos em ações e discursos do candidato Jair Bolsonaro, se as pessoas que defendem essa bandeira não tivessem um outro objetivo por trás : eleger um outro candidato.

Não falo das pessoas que democraticamente se juntaram à causa, mas sim aos “artistas”, que recentemente lançaram um manifesto contra o CANDIDATO Bolsonaro; não contra as suas propostas de governo, mas contra sua pessoa. Curiosamente, esses mesmos artistas divulgaram um documento de apoio à candidatura do ex-presidente Lula, em 2017. Essas pessoas simplesmente acham que representam TODA classe artística ao se posicionarem assim, mas sabemos que não é bem desse jeito. Há muito tempo esses artistas não representam quem realmente está na luta para colocar sua ARTE nas ruas e na visão do público. 

Em sua maioria são atores Globais com carreiras estabilizadas, diretores de teatro que utilizam a Lei Rouanet ou artistas militantes claramente declarados. 

É necessário parar com essa visão. A classe artística é muito mais diversificada, e as pessoas que precisam da Lei Rouanet e dinheiro público para suas obras, não têm direito devido à toda essa verba ir para grandes empresas e corporações que não precisam de um centavo emprestado

O texto reflete apenas a opinião do autor, e não de todos os membros do site.

Em tempos conturbados como esse, você tem todo direito de escolher seu lado e defendê-lo. Desde que isso não seja feito com hipocrisia. 

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