O amor é uma jangada partindo no tempo


GUSTAVO ALVES

Era Uma Vez em Tóquio, "Tōkyō Monogatari" se trata de um clássico longa-metragem japonês, lançado no ano de 1953, com a direção de Yasujiro Ozu, o filme que conta a história de um casal de idosos que viajam a Tóquio para rever seus filhos, atravessa diversos conceitos de temporalidade, contexto e cultura, aproximando o espectador na simplicidade das intereções que na medida em que o tempo passa, de uma forma ou de outra, vai se desgastando.

Este é um filme, cujo o ritmo até o final do segundo ato é gradualmente passivo e suave, imergindo a história no ambiente na medidade em que a trama toma novas proporções. É provável que o espectador ocidental possa se sentir insatisfeito com o formato "devagar", que o diretor opta entre os enquadramentos fechados, dialogos a principio muito simples e personagens, até então, pouco cativantes, mas a grande sacada é como Yasujiro desenvolve o roteiro, que aos poucos vai se abrindo ganhando a atenção necessária para que a recompensa emocional seja memorável.

Sem subestimar a inteligencia do espectador, o filme te coloca como um observador dentro das situações simplistas na casa da familia com atuações perfeitamente elaboradas e uma mensagem forte, atemporal, colocando-o em um patamar ainda maior tendo em vista o ano em que foi produzido.

Não é atoa que "Era uma vez em Tóquio" seja considerado um clássico do cinema, pode parecer monótono e muito calmo, mas percebendo tudo que constrói o filme, a experiência final pode ser ainda melhor.

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