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Cultura Pop do mundo.

Estamira (2004): mais que um choque de realidade, é um tapa

O que a nós, somos capazes de acreditar ou fazer para sobreviver no inferno?

GUSTAVO ALVES

Estamira Gomes de Souza é a protagonista do documentário homônimo dirigido por Marcos Prado e produzido pelo conhecido, José Padilha. O filme nos leva para o fascínio encantador, entre o olhar penetrante de Estamira e as suas palavras que interpretam sentimentos distorcidos sobre a sua realidade, que ao longo dos primeiros minutos, evocam, junto a fotografia ambiente caótica do lixão carioca e a trilha perturbante, a curiosidade envolvente de compreender as suas complexidades e entender a nascente das suas indagações.

Muito do que diz a protagonista, retrata a revolta, seja entre as camadas sociais até as instituições na qual frequentamos, o senso de absurdo se faz presente e visível entre todas essas afirmações, o que pode gerar talvez, uma antipatia inicial com a sua personalidade ultrajante, mas, mesmo assim, plausíveis, principalmente pelas suas experiencias traumáticas; com o trabalho, o descaso, a violência e a vida, e na medida em que a trama se desenvolve com um excelente ritmo de montagem, compreendemos mais dessa relação com a sua história particular.

Marcos Prado e Décio Rocha, são a grande referência audiovisual deste filme, Prado, apresentando majestosos planos gerais com contraste entre o céu e o lixo carioca e Rocha, com uma marcante e intensa batida aguda, que em união transmitem muito bem, sensações, contemplativas, claustrofobias e tensas, principalmente nas cenas que estampam a dura e mais pura realidade daqueles que convivem no “inferno” e nele sobrevivem.

Estamira é forte, te envolve e constrói uma narrativa intensa que abre questionamentos sobre a realidade, desigualdade e a humanidade das nossas ações, embora, inicialmente contro-versa este é um filme que se compromete tecnicamente o telespectador na reflexão de sua moralidade.

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