A obra esta para a verdade, assim como a sombra está para a luz

GUSTAVO ALVES

Dirigido por Orson Welles, cineasta conhecido por seu icônico trabalho como protagonista e diretor de “Cidadão Kane”, submerge o espectador em "F for Fake", num documentário parcialmente autobiografico, que relaciona relatos de importantes nomes da falsifição, sobdiferentes perspectivas dentre a mesma ideia no âmbito da arte, principalmente na pintura.

O poder e a influencia da montagem é um deslumbre narrativo, que se faz presente logo na primeira sequencia do filme, Welles, faz questão de induzir o espectador entre olhares e ações por um propósito, que talvez, desapercebido, não atrairia reações adversas e uma reflexão interessante acerca da arte.

A partir dessa proposta, o longa aproveita para brincar constantemente com a nossa percepcção, com as imagens e suas metalinguagens somos colocados na sala de edição do filme, entre jump cut´s, planos rápidos, transições ou quando Orson surge para pontuar algum argumento e de fato, isso não é apenas um padrão estetico dentro do filme, tem um valor semântico que ajudar a narrativa contar a história, que por sua vez é principiada entre as declarações biográficas do próprio protagonista o então, pintor e falsificador Elmyr de Hory e seu bibliográfico escritor Clifford Irving, relação tal qual, que nos apresenta o questionamento central deste documentário, o antagonismo entre a falsidade e a arte.

Posso eu fazer tão bem feito como quem o criou, e ainda sim declarar me autor? Para ser arte precisa ser genuinamente criada ou inovada? Welles faz total questão de pontuar severamente esses paradigmas, que colocam a prova a função e a forma pela qual os críticos de arte analisam elas mesma, pois se Elmyr conseguiu forjar uma carreira de sucesso ganhando pelo nome de outros artistas, é porque houve quem acreditou e aceitou, que as suas falsas obras eram originais, pessoas de credibilidade no que tanto fazem.

Fora do eixo Elmyr, o diretor ainda conta sobre a sua própria relação com a falsidade e como ela o afetou e proporcionou a realização de sua aspiração em trabalhar na maior indústria de cinema do mundo, no período, a Holywood. O ponto antes do final fica com a história de Pablo Picasso e o drama dos seus 22 quadros vendidos como se não fossem seus, dados anteriormente a uma mulher que aceitou a proposta de se despir, porém todos os quadros feitos por Pablo sobre ela, seriam de sua propriedade. Levantado caso a caso, Welles conclui o longa fazendo uma sátira da própria ideia de falso e arte nos últimos 17 minutos, encenando e propondo o espectador a reflexão sucinta sobre a obra e a verdade.   

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