O futuro da indústria do entretenimento foi sacramentado em questão de minutos. Reunidos simultaneamente nos quartéis-generais de cada companhia, os acionistas da Fox e da Disney votaram "sim" e aprovaram, por maioria, a concretização da venda dos estúdios da 20th Century Fox para a casa de Mickey Mouse. Como o Departamento de Justiça estadunidense já aprovou a negociação, descartando a suspeita de formação de truste - conceito aplicado quando a líder de um mercado toma um controle ainda maior de seu segmento ao se fundir com uma concorrente -, o acordo entre as duas gigantes deve ser concluído em meados de 2019 (via Variety).
Apesar da fugaz concorrência da Comcast, grupo midiático detentor da Universal que chegou a cobrir a oferta da Disney antes de anunciar sua desistência oficial, o acordo entre a Fox e a empresa de Bob Iger parecia bastante sólido desde que a compra foi inicialmente comunicada, no último mês de dezembro. Originalmente orçada em US$ 52 bilhões, a proposta da Disney foi incrementada depois que a Comcast entrou na briga e, agora, pela bagatela de US$ 73,1 bilhões, a casa de Mickey Mouse poderá contar, em seu futuro, com os mutantes do X-Men, o popular Deadpool, as séries do FX e as outras propriedades de entretenimento da 20th Century Fox, assim como parte das ações sobre o Hulu, segundo maior serviço de streaming do mundo.
Enquanto o CEO da Fox, Rupert Murdoch, vê alguns de seus principais recursos pegarem a estrada - o canal italiano Sky, coprodutor da aclamada série The Young Pope, está sendo negociado com a Comcast -, os departamentos de jornalismo e de esportes permanecerão sob domínio da 21st Century Fox. A Disney, por sua vez, prevê um período de transição de aproximadamente sete anos para que finalmente possa explorar os bens que receberá da Fox a partir da compra - isso sem contar com os outros "percalços" logísticos que vêm de brinde em uma negociação desta magnitude, que podem aumentar a expectativa temporal.
Alguns destes contratempos podem se dar por causa dos acordos nacionais de cada subsidiária global da Disney e da Fox. No Brasil, por exemplo, segundo informa o The Hollywood Reporter, a divisão nacional da casa de Mickey Mouse já notificou o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), órgão governamental responsável por investigar e prevenir abusos econômicos em nosso território, da fusão entre as duas matrizes. De acordo com os representantes da Disney no Brasil, a aquisição da Fox por sua empresa-mãe não caracterizará a supracitada formação de truste, portanto não conferindo à Disney em nosso país uma posição de monopólio. A movimentação deve ser replicada nos outros territórios internacionais em que ambas as empresas atuam.
Consequentemente, ainda demorará para vermos os mutantes ou o Quarteto Fantástico, entre outros personagens da Marvel que estão sob controle da Fox, serem integrados ao sempre expansível Universo Cinematográfico da companhia, assim como igualmente levará tempo até que os atuais projetos da Fox, em fase de desenvolvimento ou de pós-produção, como Os Novos Mutantes, sejam devidamente estabilizados.

Rafael Henrique é redator no Bitered.

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