Home | Bitered

Cultura Pop do mundo.

La La Land: amor, sonhos e ambições

“Mesmo diante da razão e do conhecimento humano evoluídos durante séculos, o nosso sentimento primordial, o amor, é e assim será, mais forte e capaz de nos moldar e transformar a cada nova experiência.”

GUSTAVO ALVES

O artigo contém spoilers sobre o filme!

La La Land (2017), do jovem diretor, Damien Chazelle, é sem sombra de duvidas, um filme que descreve a industria de Hollywood em seus mais variados seguimentos, e isto é apresentado, desde as ambições e aspirações artísticas dos personagens até a apresentação visual e musical em geral, repleta de referências sobre a cultura norte-americana.

Apesar deste aspecto ser crucial para ambientação do longa, o ponto de conexão, que faz o publico se cativar e envolver tão bem com o filme, deve-se principalmente pela relação intimista de amor e sonho entre os “opostos”, Mia (Emma Stone) e Sebastian (Ryan Gosling) (que por sinal, são muito bem interpretados), onde acabam-se conhecendo de uma forma não convencional, em meio a um engarrafamento na avenida, na qual, trocam-se gestos obscenos entre si mediante ao caos urbano e depois seguem em suas próprias direções.

Percebida ou não, esta ação é um retrato primordial das idas e vindas que o próprio casal impõem durante a trama e diz muito sobre o quanto ambos estão sobrecarregados e destinados a seguirem sozinhos em seus próprios sonhos. Mesmo após o segundo “encontro” entre eles, que ocorre na volta de Mia para a sua casa, onde, durante trajeto ela ouve uma melodia de piano que aguça sua curiosidade e a faz entrar no estabelecimento, reencontrando Sebastian, desta vez como pianista, que acabava de ser mandado embora pelo patrão, por infringir a regra ao tocar as suas músicas, mais uma vez, em um clímax caótico no filme, ambos se conectam novamente e da mesma forma se ignoram.

Prosseguindo durante estas idas e vindas eles se compreendem neste processo, embora os dois tenham aspirações grandiosas como artista, este ponto de desordem e busca por uma oportunidade para mostrar a sua arte, é o que eles compartilham em comum. Mia, pela arte de atuar e Sebastian, pela arte de tocar e quando eles, mediante a esses encontros e desencontros partilham de suas jornadas um para o outro, é ai, que a conexão se intensifica e este relacionamento começa a vigorar.

O sonhos não compreendidos, muitas vezes visto por maus olhos seja pelos, familiares, amigos ou parceiros, agora, encontrou alguém para motiva-lo, alguém que vai reconhecer que a jornada é arriscada e entender a importância dela para o parceiro. E de uma forma recíproca, Mia e Sebastian, apaixonados, vivenciam o melhor de cada um, ajudando e incentivando em suas respectivas áreas, construindo um laço positivo, pelo menos, no começo desta convivência…

Damien Chazelle já havia trabalhado com esta temática de relacionamento em seu filme anterior, Whiplash, colocando em prova a ideia de ambição diante das responsabilidades de ter alguém ao lado, resumindo e simplificando, o protagonista Andrew Neiman (Miles Teller) escolheu dedicar-se ao seu instrumento em troca de sua relação amorosa pelo medo de se envolver de mais com a parceira, mas independe da conclusão desta historia em La La Land, ocorre o oposto, Sebastian e Mia se conectam, demonstrando que apesar de seus sonhos divergirem, ambos podem seguir juntos.

É… Mais ou menos… Ao longo da trama o romance vai se desgastando entre os dois e a momentos onde; ou decidem-se viver pelo que acreditam, ou viver juntos pela paixão e apesar do relacionamento dar a entender que será algo duradouro como na maioria dos filmes do gênero, aqui o conflito extrapola as convicções artísticas de ambos, pois apesar de ambicionarem o estrelato, as contas de casa precisam ser pagar de alguma forma e as suas respectivas propostas não serão destinadas para o casal, mas sim, individualmente.

E todos nós sabemos, que hora ou outra este conflito iria chegar, até mesmo Mia e Sebastian sabiam deste obstaculo, sabiam da dificuldade financeira, sabiam que os sonhos se divergiriam, sabiam que iriam se separar, mas diferente do protagonista de “Whiplash”, Mia e Sebastian deram uma chance para o amor, mesmo sabendo de todos os seus desafios que iriam enfrentar juntos, e assim como Andrew, eles alcançaram, cada um em sua direção, mesmo que individualmente separados, assim como começaram, mas com a certeza de que o breve momento juntos foram de suma importância para alcançar os seus objetivos e de forma emblemática a ultima conexão é feita e agora não é ignorada, mas prestigiada com o sorrido de satisfação e orgulho de ambos.

Em paralelo com a realidade, saindo da ficção, particularmente o filme mexeu comigo e me fez refletir sobre relacionamentos em geral e a conclusão que eu tiro desta historia é que independente do final feliz ou não o mais importante é dar uma chance para o amor e para crescer com a pessoa na qual você dividira seu tempo amor e carinho.

Deixe uma resposta