O monstro é o fruto proibido da humanidade; o pecado personificado.

GUSTAVO ALVES

Com o advento da tecnologia e da cultura pop, nos últimos anos, tornou-se comum o envolvimento do grande públco com a mitologia dos monstros. Desde os meios de comunicação arcaicos, aos vigentes, a circulação desse tipo de história atrai uma porcentagem cada vez mais significativa, mas o que há por traz desses contos fantásticos que justifique a indentificação antropologica por sua jornada, existência e representação?

Recentemente assisti ao filme baseado na biografia de Mary Shelley, dirigida por Haifaa al-Mansour, o filme que leva o mesmo nome da escritora britânica retrata em contraste a vida e a fantasia de Mary, interpretada por Elle Fanning. Com os recursos cinematográficos utilizados, é possivel pontuar o desenvolvido do monstro através das próprias experiencias da autora, que na catarse das suas frustrações, o temido prometeu moderno é constituido, e reconhecido como Frankenstein.

Embora a criação e o criador sejam distintos de personalidade, aparência ou realidade, algo quase paterno e semelhante se faz presente quando ambas as histórias são devidamente assimiladas, é como se os traços de cada narrativa estivessem presentes, mas enquanto uma é real a outra é fantásia.

Através destes motivos o espectador consegue se indentificar com a surrealidade dessas ficções, pois abstratas ou não, a presença no enredo de fragmentos dos dilemas morais, sucessos e fracassos humanos, dá ao monstro uma razão e uma função, que vai além da sua imperfeição.

O mundo invertido de Stranger Things, por exemplo; lugar onde, valores e padrões são antagônicos aos da realidade que conhecemos, como uma espécie de "espelho quebrado", é a fonte e o indício da desordem no decorrer da série, mas, embora as coisas alí não tenham uma procedência coerente, a sua gênese e estrutura são completamente identicas aos do mundo real.

Essa ideia de dualidade se faz presente em diversas adaptações, livros, músicas e etc..., o monstro em questão seria a representação ou a manifestação dos anceios que o autor compromete ao dar vida a sua criatura, é como se no dna de uma obra estivessem as vivências de seu escritor, seja ela uma tragédia como a vida de Frankenstein e Mary Shelley, ou uma aventura como A Viagem de Chihiro de Hayao Miyazaki. O que realmente importa é saber que todas essas histórias são reais.

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