2015 foi um ano difícil para os fãs de filmes de super heróis. Tivemos Vingadores : Era de Ultron, Homem-Formiga, e o tal do Quarteto Fantástico da FOX.  Um combo enorme de decepção. Na época, eu era um dos fanáticos pela Marvel, e com toda expectativa que criei para esses filmes, acabei o ano totalmente frustado pelas promessas não cumpridas - promessas criadas pelos próprios filmes e seus trailers.
Então a perspectiva mudou para mim. Se 2015 foi o ano dos fracassos da Marvel, então 2016 era a hora de uma outra concorrente aparecer e tirar o estúdio da zona de conforto. A DC entrou de cabeça nessa ideia de Universo Compartilhado, onde todos os filmes tinham ligações e guiavam para um encontro imenso no futuro, com Batman v Superman e Esquadrão Suicida.
Retirando todos os méritos e deméritos dos filmes, uma coisa para mim tinha se tornado importante : finalmente havia variedade. Até então, a Marvel dominava tudo com seus filmes, a DC não tinha grandes ambições (mesmo com os filmes de Christopher Nolan), e a FOX tentava alguma coisa (que nem ela mesmo sabia o que era) com os filmes dos X-Men.
Não importava se a crítica tinha destruído os lançamentos da DC/Warner, pelo menos podíamos escolher. A Marvel com seu estilo divertido e aventuresco, e a DC com seus heróis sombrios e as consequências de heróis existindo no mundo real. O sonho da carreira do diretor Zack Snyder ia ganhando forma. Ia.
Como já citado, a crítica odiou os filmes, e as mudanças foram drásticas pela parte do estúdio. No ano seguinte, em Mulher-Maravilha, vimos um filme da DC que podia muito bem ser da Marvel, como você pode ler nesse meu artigo no site Cinerama :

A 'Marvetização' da DC Comics no cinema 

A verdade é que a DC, após várias surras, foi aprendendo. Mas não aprendendo a revidar e sair por cima. Aprendendo a apanhar menos e aguentar mais tempo de pé. O então sonhado Universo Compartilhado se tornou um sonho menos atraente, e a ideia de ser algo original, único, incomparável, menos ainda. 

Futuro

Essa semana, durante a San Diego Comic Con, a DC aproveitou a ausência de sua maior concorrente para dominar o evento, e entregou ao público o que ele queria ver.

No painel de Mulher-Maravilha 84, Gal Gadot e Patty Jenkins, maiores representantes dessa reviravolta no estúdio, se mostraram esperançosas e animadas com o projeto. A diretora ainda chegou a dizer que a maior inspiração para esse filme é Richard Donner - diretor do Superman de 1984. E ninguém conhece o Superman de 84 pela sua escuridão e realismo, né ?
Logo em seguida tivemos o trailer de SHAZAM!, com uma pegada bem infantil, engraçadona, e divertida. E ISSO NÃO É RUIM ! Nesse caso, não havia outra opção, se tratando da história de um muleque que consegue se transformar num herói badass. O trailer capta toda vibe dos quadrinhos do Novos 52, e serve pra trazer de volta a galera que não tava nem um pouco empolgada com os filmes da DC : os jovens.
Também fomos agraciados com o primeiro trailer do filme Solo do Aquaman, que agradou a maioria do pessoal que estava empolgado, e deixou curioso quem tava com o pé atrás.
O trailer é uma mistura de filme de ação daqueles que arrastam uma multidão pro cinema, com piadocas pontuais, no estilo da Marvel mesmo.
Nenhum dos trailers foi ruim. Mas também não foi aquela coisa UAU PELO AMOR DE DEUS EU PRECISO ASSISTIR ISTO AGORA. Não. Warner foi bem cautelosa em relação ao que mostrar, e a mensagem que eles passaram foi mais ou menos assim : '' Galera, podem voltar a confiar na gente, não vamos mais fazer filmes escuros, beleza ? Pode assistir de boa, não precisa refletir muito não. ''
E aí vem aquele misto de frustação e esperança do título. Frustado pela concorrência Marvel X DC ficar cada vez mais difícil de ser resolvida, já que um começa a seguir os passos do outro. Vejam como é curioso : A Marvel com Guerra Infinita apostou num final trágico para seus personagens, e numa trama onde o vilão tem bastante espaço de fala e interpretação - algo que era característico da DC. E a DC passa a tentar filmes mais leves, mais coloridos, e sem pretensões filosóficas - que era comum da Marvel.
Mas ainda me sinto esperançoso. Esperançoso por ver meus personagens favoritos ganhando filmes decentes. Esperançoso com o que o universo da DC pode oferecer, como o selo de filmes Dark, que já começa com uma história de origem do Coringa e um filme do Batman jovem.
Não é o fim da DC ''gótica sombria'' de vez, mas sim um novo começo, como a fase ''Os Novos 52'' foi nos quadrinhos. Cinema é público, e não dá pra fazer filmes caros se eles não dão dinheiro. Então, sim, eu prefiro ver a DC virando algo mais palpável ao grande público, do que morrendo nas mãos da crítica.
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