Baseado em fatos, na visita do papa João Paulo 2° a cidade de Melo no Uruguai, em 1988, próximo à fronteira com o Brasil, onde muitos habitantes da região vivem de pequenos serviços, beirando a ilegalidade, como o contrabando de produtos de consumo comprados em Aceguá, no Rio Grande do Sul.

O filme, “El baño del Papa”, dirigido por César Charlone e Enrique Fernández, retrata o contraste desta realidade entre; as promessas “divinas” de mudança, presentes no senso comum do povo, pelo do processo de catequização deste recorte regional e a rotina daqueles que trabalham, recebem pouco e busca meios para conseguir ao menos se manter, através da jornada e as ambições protagonizadas por Beto (César Troncoso) e a sua família: a esposa Carmen (Virginia Méndez) e a filha Silvia (Virginia Ruiz).

Os conflitos e barreiras internas de Beto, as
divididas e as brigas, que surgem na medida em que as condições de renda não
são suficientes, criam uma pressão física e psicológica em torno da família, a
ponto do protagonista optar por conseguir dinheiro contrabandeando, com o seu único
veículo, a bicicleta, e assim ele é apresentado no filme, arriscando, parte com
uma vontade de ganhar, parte com o medo de não ter, e essas superstições do
personagem personificam muito bem o contexto desta civilização e a realidade de
Melo.

Com a convicção de Beto e da grande parte da cidade
em conseguir melhores condições, e principalmente, com ajuda da mídia
televisiva, a divulgação da vinda do papa e a especulação de um movimento
exacerbado com a sua chegada, traz esperança do comercio da região, para o povo,
que aguarda com a sua chegada, e Beto desenvolve a ideia mediante a tanta
informação e animo nas preparações, um banheiro, mais confiante pelas palavras
dos jornalistas, aposta tudo em nome do que foi creditado pela influencia da
igreja e da mídia.

Demonstrando não temer o fracasso, a esperança de Melo dura poucos minutos de monologo por parte do papa João Paulo 2° e o resultado são verídicos, tanto na história como na ficção, nada mudou, a ideia não fluiu, apenas tornaram consequências, designadas a partir de subversões dos espaços de quem apenas sobrevive nele.

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