Resenha | Demônios (Aluísio Azevedo)

Resenha | Demônios (Aluísio Azevedo)

E as idéias, que nem um bando de demônios, vinham-me em borbotão, devorando-se umas às outras, num delírio de chegar primeiro; e as frases e as imagens acudiam-me como relâmpagos, fuzilando, já prontas e armadas da cabeça aos pés

Demônios, de Aluísio Azevedo é uma obra que nos apresenta uma mescla entre o naturalismo, típico do autor, com uma narrativa fantástica.

Nos é contada a história de um jovem escritor, que acorda à meia-noite, de maneira estranha, e com a visão e a audição entorpecidos, questiona sua própria sanidade, e em seguida começa a escrever de forma caótica, sem nenhuma consciência, transformando o próprio ato de escrever num ato fantástico. Ao sair do quarto, percebendo que mesmo depois de um tempo não havia amanhecido, foi aos quartos vizinhos, e percebeu que estavam todos mortos, e lembra-se então de sua noiva, Laura, e sai para procurá-la, na esperança de não ser o único a viver.

Chegando na casa dela, após passar por vários cadáveres numa escuridão profunda, ele teme, ao percebê-la fria e imóvel, mas que logo se reanima em um beijo, e volta aqui o discurso romantista de Aluísio. Saem depois, com o objetivo de morrerem, juntos, no mar, e durante esta viagem, vivenciariam mudanças extremas.

É perceptível na obra, com as detalhadas descrições de ambientes insalubres e cadáveres putrefatos e a forte influência do meio no indivíduo, a presença do naturalismo, característica tão marcante do autor, principalmente com as obras “O Mulato” e “O Cortiço”, pelas quais é tão conhecido, e por isso podemos ver essa incrível diferença na temática, com que o autor, indo do naturalismo ao gótico, faz em seu livro de contos, apresentando assim uma outra face do escritor.

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