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Resenha | Lessons in Stoicism (John Sellars)

E se alguém te dissesse que todo o sofrimento em sua vida se deu, simplesmente, pelo modo que você pensa?


O livro Lessons in Stoicism, escrito por John Sellars, conferencista de filosofia na Royal Holloway, Universidade de Londres e membro da Wolfson College, Oxford, tem por função apresentar a corrente filosófica do Estoicismo, e seus principais filósofos, Sêneca, Epíteto e Marco Aurélio, assim considerados por haver resquícios de seus escritos. É dividido em 7 capítulos, com o primeiro informando o papel do filósofo como “médico”, e os subsequentes apresentando os temas abordados pelo Estoicismo.

Se trata de uma leitura extremamente agradável, com o uso de vocabulário simples, analogias e exemplos e sempre com uma explicação sobre algo que poderia ter deixado dúvidas na cabeça do leitor, até porque a intenção do livro é justamente retirá-las. Nos dá uma visão geral da corrente e incentiva a busca por outras fontes, apresentadas ao final do livro.

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Inicialmente, temos a explicação do motivo de o filósofo ser considerado um médico – da alma -, que se dá pelo fato de que os estóicos consideram diversas coisas, como possessões materiais, indiferentes. Dessa forma, o que a definiria como boa ou ruim, seria o caráter, a forma de pensamento daquele que a possui e a utiliza.

Então temos o primeiro capítulo, que nos mostra o que está sob nosso controle ou não e de que forma isso afeta nossas vidas.


Em seguida, o capítulo O Problema com Emoções expõe a visão estóica com relação às emoções, que são vistas como fruto de nosso julgamento, portanto estando sob nosso controle. Sêneca considera a raiva como um eetado temporário de loucura, pois a partir do momento que somos tomados por ela, num estado que impossibilita retomar a calma, temos a mente toda comprometida.


Em Lidando com Adversidades, temos a visão, principalmente de Sêneca, sobre as adversidades. Na verdade, como já foi dito, não existem eventoz bons ou ruins, mas sim eventos que podem ser julgados como tais. Porém, ele também diz que, para o homem bom, assim como para um lutador, que melhora ao enfrentar oponentes mais fortes, tais situações o ajudam a se tornar mais forte, e estar preparado mentalmente para situações piores que podem acontecer. Ele diz que Deus só envia desafios mais difíceis para os indivíduos merecedores, sendo, assim, um sinal de virtuosidade.


No capítulo Nosso Lugar na Natureza, temos majoritariamente a visão de Marco Aurélio, em sua obra Meditações, sempre relembrando a irrelevância do ser humano perante a vastidão do universo (e tudo aquilo que não está sob nosso controle).
A Natureza estóica é um organismo inteligente governado pelo destino, mostrando que as coisas não só não estão sob nosso controle, mas não seriam de outra forma.

A natureza dá e pega tudo de volta. Para ela, o homem educado em humildade diz: “Dê o que deve ser; pegue o que deve ser”. E ele diz isso não em tom de desafio, mas de simples lealdade.


No sexto capítulo, Vida e a Morte, podemos relembrar um pouco sobre o que foi falado na resenha de Sêneca, na obra Sobre a Brevidade da Vida, e que, para não a desperdiçarmos (a vida), devemos não tentar fazê-la durar por mais tempo, mas aproveitar cada dia pensando no fato de que poderia ser nosso último. Diferentemente do que pode ter sido pensado, ele não se refere à atividades como jogos, esportes ou outras ‘atividades de lazer’, mas sim à pratica da filosofia, a leitura, o pensamento.


O último capítulo, Como Vivemos Juntos, em concordância com a afirmação de Aristóteles, de que “o ser humano é uma animal social e político”, trata de nossas funções nas sociedades às quais pertencemos, sendo estas desde as familiares até a sociedade humana. Dessa forma, o cumprimento dos deveres em ambas as sociedades se torna necessário para que nos mantenhamos conectados.


Foi intenção da Natureza que não fossem necessários equipamentos para uma boa vida: cada indivíduo pode se fazer feliz. Bens externos são de importância trivial e sem muita influência em ambas as direções: prosperidade não eleva o sábio e adversidade não o deprime. Pois ele sempre se esforçou para depender o máximo possível em si mesmo e derivar todo o prazer de si. (Sêneca)