Resenha | Os Melhores Contos de H.P Lovecraft

Resenha | Os Melhores Contos de H.P Lovecraft

“A emoção mais antiga e mais forte da humanidade é o medo, e o mais antigo e mais forte de todos os medos é o medo do desconhecido.”

H.P. Lovecraft, provavelmente um dos nomes mais famosos na literatura, que teve suas criações presentes até na cultura pop, como em jogos ou filmes, e sendo um dos mais influenciadores no caminho que esta tomou. Mesmo que não tenha ouvido o nome de Howard Phillips Lovecraft, com certeza já viu alguma de suas criações, reunidas nos chamados “Mitos de Cthulhu”, como o próprio Cthulhu, a cidade de R’lyeh ou Nyarlathotep, com a criação de seu gênero, o “Horror Cósmico” ou “Cosmicismo”, com o qual ele constantemente lembra o leitor que o ser humano não é nada se comparado à grandeza do universo e os outros seres que nele habitam.

Esta trilogia, com os livros intitulados “O Chamado de Cthulhu”, “A Cor que caiu do céu” e “Sussurros na escuridão”, da editora Pandorga, apresenta os principais contos do autor, alguns curtos, como “Os gatos de Ulthar”, com 3 páginas, e outros longos, como “Sussurros na escuridão”, que é o próprio livro, com 126 páginas.

A narrativa dos contos apresenta uma incrível descrição de cenários e entidades, sempre bem detalhados, quando possível, e que te fazem se sentir imerso na leitura, e entender a sensação de medo do personagem, com o uso de uma linguagem por vezes rebuscada, até pela data em que foi escrito:

“Após recolher-se, tivera um sonho sem precedentes com grandes cidades ciclópicas de blocos titânicos e monólitos que se projetavam ao céu, todos eles sinistros e exsudando um lodo verde.”

O Principal conto, “O Chamado de Cthulhu”, que deu início aos “Mitos de Cthulhu”, é talvez a obra mais conhecida, e também umas das melhores. Conta sobre um jovem, que após a morte de seu tio-avô, um tanto suspeita, analisa suas últimas pesquisas, onde encontra um documento com o título “O CULTO A CTHULHU”, e ouve relatos de um jovem artista sobre sonhos estranhos que este começou a ter. Ele se encontra com outros pesquisadores e descobre a existência de um culto multimilenar que tem como objetivo permanecer vivo e auxiliar o Grande Cthulhu a acordar de seu sono profundo quando a hora chegar.

Meu conto favorito – e considerado pelo autor um de seus melhores escritos – é “A Música de Erich Zann”, que conta a história de um estudante de faculdade, que, com pouco dinheiro, se vê forçado a alugar um apartamento quase não habitado, e que durante a noite ouve a música de seu vizinho de cima, um alemão velho e mudo, que se isola, com melodias bizarras, nunca antes ouvidas pelo estudante, mas mais tarde consegue se comunicar com ele e ouvir sua música pessoalmente, e percebe que enquanto toca, o homem sempre olha para sua janela de um modo estranho.

O segundo, “A cor que caiu do céu”, conta a história de uma família numa fazenda, após a queda de um meteorito de cor inominável que caiu em suas terras. A terra toma um tom acinzentado, e as plantas, uma coloração singular, até que os membros da família também passam a ser afetados.

O terceiro livro, “Sussurros na escuridão”, narra o cotidiano de “”, um professor de literatura e entusiasta do folclore da Nova Inglaterra que entra em contato com um morador das montanhas, que alega a existência de seres extraterrestres por lá, que trabalhariam extraindo minérios existentes somente em nosso planeta, e toma conhecimento de suas experiências com os seres.

É uma experiência extremamente envolvente (pelo menos para um “iniciante”, como eu), mas também há alguns pontos que com o tempo se tornam cansativos, como uma descrição exacerbada sobre a situação, criaturas ou objetos. Algo interessante é um debate sobre o racismo nos livros, pois por viver numa sociedade com essa cultura, acaba estando intrínseca na obra.

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