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Resenha | Sêneca (Luiz Feracine)

Procura antes um bem que seja de fato duradouro. O único nestas condições é aquele que a alma consegue extrair de si própria. Unicamente a virtude proporciona-nos uma alegria perene e inabalável (Carta 27).

O livro Sêneca, de Luiz Feracine, faz parte da coleção pensamento & vida da Editora Escala, que tem por objetivo apresentar escritores que deixaram sua marca no pensamento moderno com textos acessíveis a todos os segmentos da sociedade.

Coleção pensamento & vida

A sinopse do livro diz:

Ler as obras didáticas e filosóficas de Sêneca equivale a sobrepor-se à dispersão fútil e infecunda da superficialidade ilusória dos atuais meios de comunicação auditiva e visual. Hoje, quem mais influencia as massas populares são os canais de televisão com seus programas voltados ao epicurismo deslavado da vida enchafurdada no prazer da sensibilidade da carne. Eis então a relevância da mensagem de Sêneca para nosso século: O que dignifica não é o prazer e sim a honra da honestidade.

Como não se sentir atraído por uma sinopse tão apelativa?

O livro é formado por duas partes: A primeira nos apresenta a vida e as facetas de Sêneca e sua visão sobre diversos temas, como a providência divina; E a segunda apresenta, divididamente, a ideia geral de alguns textos de Sêneca, como A brevidade da vida e A constância do sábio.


Parte 1

Aqui, é apresentada a biografia de Sêneca, e seu perfil como pedagogo, como político e como filósofo, sua relação com o estoicismo e sua opinião quanto ao epicurismo.
Logo após, são apresentadas pequenas sínteses sobre as principais obras de Sêneca.
Há também capítulos dedicados à alguns temas sob perspectiva de Sêneca, como a “Lei do amor mútuo”, e algumas máximas de Sêneca.


Parte 2

Nesta parte, temos textos selecionados das principais obras literárias e filosóficas com teor moral de Sêneca. São divididas com subtítulos que apresentam as ideias principais das obras, permitindo um entendimento geral destas de forma resumida (mas é claro, não substitui a obra original).


A razão não exige do homem mais do que esta coisa facílima: viver segundo sua própria natureza (Carta 41).

O texto se apresenta, na maior parte da obra, numa linguagem mais simples e acessível, demonstrando ter o intuito dito na apresentação dessa coleção, de informar o leitor, independentemente de sua posição social, apresentando uma leitura agradável, e a melhor parte dela é perceber o sentido das palavras de Sêneca e poder aplicá-las na vida.

O livro foi capaz de transmitir (pelo menos a mim), a visão de Sêneca sobre A Clemência, a virtude mais humana, e pode ser definida como a moderação dos espírito humano no desempenho do poder de castigar, que em sua época pertencia ao rei, o único que podia salvar vidas, e assim, deveria se apropriar dos sentimento divinos e, de coração manso, fazer sua escolha; sobre A Vida Feliz, que consiste em seguir e adequar-se às leis da natureza, tomando o prazer como meio, e não como fim da vida honesta, pois a prática da virtude é justificada por si mesma. Dessa forma, implica que o homem feliz não conhece bem maior do que pode dar a si mesmo, pois para ele, a verdadeira volúpia é o desprezo das volúpias; ou sobre A Brevidade da Vida, que é algo que muitos se queixam, pelo fato de o desperdiçarem enquanto entregues aos prazeres ou ocupados e atarefados, que o que menos fazem é viver. Assim, enquanto diversas profissões e artes surgem e pessoas podem aprendê-las cada vez mais jovens, a arte do bem viver exige a vida inteira. Há também outras obras apresentadas no livro, além dos citados acima, de forma mais aprofundada.