Review: The Last of Us (2013)

Review: The Last of Us (2013)

Vivendo o fim de uma geração de consoles e a chegada de uma nova, muito se discute sobre as vantagens das plataformas atuais e os motivos para escolher uma em relação a outra. Quando se coloca o PlayStation em discussão, o argumento mais simplista e certeiro que se pode ouvir e usar é a questão dos exclusivos. A empresa ao longo dos anos criou certo charme e rigor quanto aos jogos que só podem ser jogados através de seus consoles, e muito desse mérito de deve à Naughty Dog, desenvolvedora que criou grandes clássicos do PS.

Primeiramente por Uncharted, a saga de Nathan Drake foi grande responsável pelo glamour em torno dos exclusivos Sony, e com certeza foi motivo causador da compra do console por grande parte do público. Como se não bastasse uma (até então) trilogia concisa e premiada no gênero de aventura, a Naughty Dog em 2013 se lança em um novo desafio que viria a se tornar um dos maiores fenômenos no mundo dos games.

The Last of Us pode trazer uma premissa genérica e já vista um milhão de vezes em diferentes mídias : Apocalipse zumbi, sobrevivência ao extremo, grupos armados duelando entre si. Sim, clichê, e existem diversos outros ao longo da narrativa do game. Mas o que o torna tão único e especial é justamente pegar esses clichês e dar outra cara a eles, aprofundá-los de tamanha maneira que o vínculo entre os personagens e o jogador é o principal motivo do sucesso dessa história.

Aqui, acompanhamos Joel, que perdeu sua filha no início dos ataques dos zumbis (aqui chamados de infectados), e que agora sobrevive da maneira que pode. Devido às circunstâncias, lhe cabe a missão de levar a garota Ellie até o grupo de resistência ‘Vagalumes’, já que ela pode ter a cura para a doença que transforma as pessoas em mortos vivos sedentos por sangue. Quem já teve experiência com a franquia Uncharted percebe de cara as semelhanças na jogabilidade e a assinatura artística da Naughty Dog, que como dito antes, criou todo uma aura em torno de suas produções. Em The Last of Us somos transportados para a sensação e sentimento daquele caos instaurado nas cidades dos Estados Unidos, seja através da história tensa, do modo de jogo que permite tanto stealth quanto sair atirando em todo mundo, e claro, a trilha sonora absurda composta por violão. 

Apesar de não ser mundo aberto e totalmente ‘livre-arbítrio’ quanto à maneira de jogar, o game te permite algumas escolhas em relação à ação e combate. Cada bala aqui é essencial, fabricar itens mais ainda. Alguns gostam de chamar a produção de ‘aventura shooter’, mas tem aqueles que chamam ‘suspense’, e nenhum dos dois está errado. Os confrontos com zumbis não são em hordas absurdas de milhares de mortos vivos como visto recentemente em Days Gone; mas consegue causar tensão pelo contrário. As situações de confronto criadas são muitas vezes desconfortáveis e obrigam o jogador a criar uma certa estratégia antes de partir pra cima, ou depois de morrer inúmeras vezes. Um ambiente fechado, com uma dúzia de zumbis e apenas 5 balas no revólver é pra se fazer pensar durante a gameplay. Claro que depois consegue-se maior diversidade de armas e itens de combate, e também a ajuda de Ellie em alguns momentos, mas nada que retire o nervosismo de enfrentar os infectados. 

A história tem seus pontos altos e baixos, sendo contada através das estações climáticas e com alguns saltos no tempo. Personagens são apresentados e depois descartados, a maioria não tem muito tempo de aparição, mas isso pode ser visto como uma escolha de storytelling, representando que Joel e Ellie estão sozinhos naquele mundo, naquela missão. A relação entre os dois é muito bem desenvolvida, com camadas de personalidades vindo a tona com o tempo, e novamente, se fazendo um dos pilares desse jogo. O que Joel começa encarando como uma obrigação que não lhe cabia, acaba se tornando em um laço de amizade quase parental. A introdução de Joel com sua filha Sarah no início do caos na cidade é deveras curta, mas já cria toda a personalidade deste homem amargo que aos poucos vai se abrindo à sua companheira de estrada.

Em certo momento da história, passamos a controlar Ellie, enquanto Joel está debilitado. Ela que no começo não podia nem carregar uma arma consigo, agora caça e cuida do parceiro mais velho. Quase uma inversão de papéis, uma evolução na trama substanciada pelos acontecimentos traumáticos anteriores (sem spoillers), e que logo em seguida se agravam ainda mais, com Joel precisando resgatar Ellie mesmo machucado e mal conseguindo andar.

Sem dúvidas The Last of Us é um grande clássico atemporal que marcou e continuará marcando gerações de fãs. Quase como uma cartilha de como fazer um bom jogo com envolvimento emocional, através da história, da jogabilidade, da trilha sonora e dos personagens. A mistura perfeita para se criar um hit icônico e único mesmo dentro dos clichês e estereótipos.

Gabriel Lira

Apenas um cara tentando fazer a coisa certa.
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