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Thelma & Louise (1991): feminismo para leigos

Se tem algo que é importante de se discutir e ao mesmo tempo perigoso, é o feminismo. A luta das mulheres por direita iguais ao passar dos anos ficou com uma imagem deturpada para certa parcela da população, devido às ativistas mais extremistas e ao termo ‘mansplaining’, que excluí os homens de toda essa discussão.

Porém, em um mundo ideal, não discutiríamos sobre isso, afinal, a luta é por direitos básicos – respeito mesmo. Se hoje essa discussão é popular e mesmo assim controversa, nos anos 90 era algo que nem se passava pela cabeça da população média.

E foi justamente nessa época que o visionário Ridley Scott trouxe a tona essa discussão no filme Thelma e Louise, de 1991, que algum tempo depois virou referência e símbolo da luta feminina pelos direitos iguais.

O longa acompanha as duas protagonistas, mostradas logo no começo como mulheres de certa forma insatisfeitas com a vida que levam – uma com o trabalho, outra com o marido. Elas decidem viajar juntas, e no meio do trajeto, as coisas acabam saindo de controle.

Em um bar beira de estrada, Louise é estrupada por um homem que dançou junto a noite toda. Thelma chega no ato, e inconscientemente, atira e o mata (isso não é spoiller). Com medo de que as autoridades e testemunhas não acreditem na história de auto-defesa, as duas decidem fugir, sem destino, até as coisas se acalmarem.

Mas, você sabe, em road movies a situação dos personagens só vai de mal a pior. E imagine aqui, duas mulheres foragidas, correndo contra as autoridades enquanto descobrem a si mesmas e tentam lidar com a opressão do mundo externo. “Quando é que essas garotas vão parar de sofrer?” indaga um personagem no final do filme, expressando os sentimentos dos próprios espectadores.

Essa frase serve tanto para a história que o filme conta, quanto para o mundo machista em que vivemos (e aqui é retratado de maneira muito real). É marido que trata como empregada, é caminhoneiro assediando no meio da estrada, e a mesma velha história das mulheres que sofrem abusos e têm medo de relatar à polícia – na maioria das vezes, os policiais são homens.

Vemos durante as duas horas e meia de roteiro essas duas mulheres se afundando cada vez mais em crimes e se perdendo (ou se achando) na própria loucura pessoal, e nos sentimos mal pelo que estão fazendo, e ao mesmo tempo há um sentimento de vingança. Vingança contra o mundo, por tudo que as fez passar. Se elas chegaram àquela situação, a culpa é de quem ? A resposta talvez seja óbvia, mas não cabe a mim dizer qual é.

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