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V de vingança e a obediência

A HQ “V de vingança”, escrita por Alan Moore e ilustrada por David Lloyd é uma obra literária fruto do século XX e suas tensões e, assim como as obras de George Orwell, permanece atemporal, ilustrando situações reais ainda enfrentadas na sociedade do século XXI.

Durante o início da década de 80 o enfraquecimento do partido conservador estava dando uma brecha para o partido trabalhista ganhar assentos no parlamento. Nesse contexto, Moore descreve uma sociedade inglesa onde o governo trabalhista falhou na tentativa de desnuclearização da Inglaterra em busca de paz em plena crise militar durante a guerra fria, após isso inicia-se um período de conflitos que resultam em um inverno nuclear em todo o mundo, surpreendentemente parte da sociedade européia, asiática e americana sobrevive (o próprio Moore posteriormente admitiu que na época não fazia idéia na capacidade do inverno nuclear de dizimar a totalidade da humanidade).

Após esse período de conflitos surge um movimento com alicerces fascistas na Inglaterra, denominados nords, pouco a pouco foram restabelecendo a ordem na Inglaterra, que se encontrava em anomia total. O estabelecimento de um estado totalitário e corporativista é o foco da critica política do quadrinho.

A marginalização de uma parcela da população -entre eles socialistas, negros e homossexuais- e a construção de campos de trabalho é uma referencia ao holocausto nazista e uma critica à possibilidade, principalmente na europa, de um próximo governo com ideologias nazistas se reerguer. Com isso o roteirista traz a tona um dos principais dilemas sociológicos, a maneira como a historia se repete diversas vezes e como, aparentemente, a memória da humanidade é curta e acaba, repetidas vezes, se tornando instrumento de manobra. Entretanto duas décadas antes da idealização dessa HQ um psicólogo da universidade de Yale já tentava responder esse mesmo dilema.

Staney Milgram, na foto acima, era filho de judeus e presenciou indiretamente o extermínio deliberado de judeus na Alemanha nazista. Comovido com a situação e, ao mesmo tempo, curioso com a conivência do povo alemão que, alem de aceitar a perseguição sionista, ajudava o governo a promover campanhas anti-semitas, Milgram iniciou um experimento comportamental com o intuito de entender o porque a sociedade permanecia obediente à uma autoridade mesmo quando esse governo rompe o limite ético e moral.

O experimento de Milgram englobava 40 voluntários homens com a idade entre 25 e 50 anos No início eles foram apresentados para outro participante, que na verdade era um cúmplice do experimentador (Milgram). Eles sorteavam quais papéis exercerem (o de aluno ou o de professor), embora o cúmplice acabasse sempre sendo o aluno. Havia também um “pesquisador” vestido com um jaleco cinza, interpretado por um ator. Duas salas do Laboratório de Interação na Universidade de Yale foram usadas – um para o aluno (com uma cadeira elétrica) e outro para o professor e pesquisador com um gerador de choque elétrico. O “aprendiz” (o cúmplice) foi amarrado a uma cadeira com eletrodos e submetidos a uma série de perguntas as quais, se forem respondidas erradas, o “professor” deveria administrar choques cada vez mais intensos. Após um tempo os gritos do cúmplice não eram mais ouvidos.

Mesmo após acreditar que o aluno estivesse inconsciente, o pesquisador ordenava que o voluntario continuasse administrando os choques, apesar de alguns desistirem antes, 65% dos participantes continuaram ate o nível Máximo de intensidade do choque de 450 W e 100% dos voluntários passaram dos 300 W.

Comentário.
Apesar das informações no texto, não disponho uma conclusão concreta, é de uma interpretação individual, pois assim como podemos considerar Rousseau e seu pensamento de que a sociedade corrompe a humanidade ou um pensamento Maquiavélico onde o homem será bom ou mal quando o convém.
Porem deixo também uma série de obras que creio desenvolver um senso critico sobre a obediência e barbáries feitas na Alemanha nazista.

  1. V de vingança. (pelos motivos citados no texto)
  2. MAUS, quadrinho biográfico descrevendo a situação de um campo de concentração vivenciada por um judeu (detalhe ao comportamento dos poloneses no campo de concentração perante aos judeus,
  3. Experimenter, filme que retrata o experimento de Milgram na década de 60.
  4. 1984, livro de Orwell que retrata uma distopia autoritária.

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